quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Morre Steve Jobs



Morre Steve Jobs, fundador da Apple

Criador da Apple impôs visão de simplicidade no mercado da tecnologia.
Da experiência com drogas às brigas, conheça a trajetória do empresário.

Steve Jobs (Foto: Moshe Brakha/AP)Steve Jobs, fundador da Apple, morre aos 56 anos nos Estados Unidos (Foto: Moshe Brakha/AP)

Morreu nesta quarta-feira (5) aos 56 anos o empresário Steven Paul Jobs, criador da Apple, maior empresa de capital aberto do mundo, do estúdio de animação Pixar e pai de produtos como o Macintosh, o iPad, o iPhone e o iPad.
Idolatrado pelos consumidores de seus produtos e por boa parte dos funcionários da empresa que fundou em uma garagem no Vale do Silício, na Califórnia, e ajudou a transformar na maior companhia de capital aberto do mundo em valor de mercado, Jobs foi um dos maiores defensores da popularização da tecnologia. Acreditava que computadores e gadgets deveriam ser fáceis o suficiente para ser operados por qualquer pessoa, como gostava de repetir em um de seus bordões prediletos, que era "simplesmente funciona" (em inglês, "it just works"). O impacto desta visão foi além de sua companhia e ajudou a puxar a evolução de produtos como o Windows, da Microsoft.
A luta de Jobs contra o câncer desde 2004 o deixou fisicamente debilitado nos anos de maior sucesso comercial da Apple, que escapou da falência no final da década de 90 para se transformar na maior empresa de tecnologia do planeta. Desde então, passou por um transplante de fígado e viu seu obituário publicado acidentalmente em veículos importantes como a Bloomberg.
Foi obrigado a lidar com a morte, que temia, como a maioria dos americanos de sua geração, desde os dias de outubro de 1962 que marcaram o ápice da crise dos mísseis cubanos. "Fiquei sem dormir por três ou quatro noites porque temia que se eu fosse dormir não iria acordar", contou, em 1995, ao museu de história oral do Instituto Smithsonian.
"Ninguém quer morrer", disse, posteriormente,em discurso a formandos da universidade de Stanford em junho de 2005, um feito curioso para um homem que jamais obteve um diploma universitário. "Mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. E, por outro lado, a morte é um destino do qual todos nós compartilhamos. Ninguém escapa. É a forma como deve ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente da vida. Limpa o velho para dar espaço ao novo."
Homem-zeitgeist
A melhor invenção da vida, nas palavras do zen-budista Jobs, deixa a indústria da tecnologia órfã de seu "homem-zeitgeist", ou seja, o empresário que talvez melhor tenha capturado a essência de seu tempo. Jobs apostou na música digital armazenada em memória flash quando o mercado ainda debatia se não seria mais interessante proteger os CDs para fugir da pirataria.
Home da Apple (Foto: Reprodução)Na página da Apple, foto em homenagem ao 
fundador (Foto: Reprodução)
Ele acreditou que era preciso gastar poder computacional para criar ambientes gráficos de fácil utilização enquanto as gigantes do setor ainda ensinavam usuários a editar o arquivo "AUTOEXEC.BAT" para configurar suas máquinas. Ele viu a oportunidade de criar smartphones para pessoas comuns ao mesmo tempo em que o foco das principais fabricantes era repetir o sucesso corporativo do BlackBerry.

Sob o comando de Jobs, a Apple dizia depender muito pouco de pesquisas de mercado. “Não dá para sair perguntando às pessoas qual é a próxima grande coisa que elas querem. Henry Ford disse que, se tivesse questionado seus clientes sobre o que queriam, a resposta seria um cavalo mais rápido", afirmou, em entrevista à revista "Fortune" em 2008. Em 2010, quando perguntado sobre quanto a Apple havia gasto com pesquisa com consumidores havia sido feito para a criação do iPad, Jobs respondeu que "não faz parte do trabalho do consumidor descobrir o que ele quer. Não gastamos um dólar com isso."
Nem sempre esta habilidade garantiu o sucesso da Apple, como na primeira versão da Apple TV, computador adaptado para trabalhar com central multimídia que não conseguiu um volume de vendas relevantes. Mas Jobs conseguia minimizar os fracassos: no caso da Apple TV, ele dizia que se tratava de um "hobby", um projeto pessoal que não fazia tanta diferença nos planos da empresa.
Perfeccionista e workaholic, Jobs gostava de controlar todos os pontos da produção da Apple, resistindo, inclusive, à decisão de terceirizar gradativamente a fabricação dos produtos da companhia para fabricantes chineses - plano proposto e executado pelo agora novo comandante da companhia, Tim Cook, e que se mostrou acertado.
Conhecido como um “microgerente”, nenhum produto da Apple chegava aos consumidores se não passasse pelo padrões Jobs de qualidade e de excentricidade. Isso incluía, segundo relatos, o número de parafusos existentes na parte inferior de um notebook e a curvatura das quinas de um monitor. No dia do anúncio de que Jobs estava deixando o comando da Apple, Vic Gundotra, criador do Google Plus, contou que recebeu uma ligação do presidente da Apple no domingo para pedir que fosse corrigida a cor de uma das letras do ícone do atalho do Google no iPhone.

Steve Jobs anunciou que deixará cargo de presidente da Apple (Foto: Reuters)Steve Jobs durante apresentação de produto
da Apple nos EUA (Foto: Reuters)
Na busca por produtos que fossem de encontro com seu padrão de qualidade pessoal, Jobs era criticado em duas frentes. Concorrentes e boa parte dos consumidores que tentavam fugir da chamado "campo de distorção da realidade" criado pela Apple reclamavam das diversas decisões que faziam dos produtos da companhia um "jardim fechado", incompatíveis com o resto do mundo e restritos a normas que iam além de restrições tecnológicas. Tecnicamente sempre foi possível instalar qualquer programa no iPhone, mas a Apple exige que o consumidor só tenha acesso aos programas aprovados pela companhia.
Internamente, entre alguns de seus funcionários, deixou a imagem de "tirano". Alan Deutschman, autor do livro “The second coming of Steve Jobs", afirma que, ao lado do "Steve bom", o mago das apresentações tão aguardadas pelo didatismo e capacidade de aglutinar o interesse do consumidor, também existia o “Steve mau”, um sujeito que gostava de gritar, humilhar e diminuir qualquer pessoa que lhe causasse algum tipo de desprazer.
Ao jornal “The Guardian”, um ex-funcionário que trabalhou na Apple por 17 anos comparou a convivência com Steve com à sensação de estar constantemente na frente de um lança-chamas. À revista “Wired”, o engenheiro Edward Eigerman afirmou: “mais do que qualquer outro lugar onde já trabalhei, há uma grande preocupação sobre demissão entre os funcionários da Apple”. A mesma publicação contou que o diretor-executivo não via problemas em estacionar sua Mercedes na área da empresa reservada aos deficientes físicos -- às vezes, ele ocupava até dois desses espaços.
Jobs também sempre precisou de um "nêmesis", um inimigo que ele satanizava e ridicularizava em público como contraponto de suas ações na Apple. O primeiro alvo foi a IBM, com quem disputou o mercado de computadores pessoais principalmente no início dos anos 80. Depois, a Microsoft, criadora do MS-DOS e do Windows. Mais recentemente, Jobs vinha mirando o Google, gigante das buscas na internet cujo presidente chegou a fazer parte do conselho de administração da Apple, e que investiu no mercado de sistemas para smartphones com o Android. Jobs ordenou que a Apple lutasse, mesmo que judicialmente, contra o programa que ele considerava um plágio do iOS, coração do iPhone e do iPad.
Steve Jobs (Foto: Kimberly White/Reuters)Steve Jobs (à direita), ao lado do antigo sócio
Steve Wozniak (Foto: Kimberly White/Reuters)
Do LSD ao Mac
O sucesso empresarial de Jobs é ainda um dos principais resquícios da transformação da contracultura dos anos 60 e 70 em mainstream nas décadas seguintes. A companhia que hoje briga para ser a maior do mundo foi fundada após Jobs ir à Índia em 1973 em busca do guru Neem Karoli Baba. O Maharaji morreu antes da chegada de Jobs, mas o americano dizia que havia encontrado a iluminação no LSD.
"Minhas experiências com LSD foram uma das duas ou três coisas mais importantes que fiz em minha vida", disse, em entrevista ao "New York Times". Depois, afirmou que seu rival, Bill Gates, seria "uma pessoa (com visão) mais ampla se tomasse ácido uma vez". O LSD foi a mesma droga que fascinara o inventor do mouse e precursor do ambiente gráfico, Douglas Englebart, cerca de dez anos antes de Jobs.
Coincidentemente foram o mouse e o ambiente gráfico os inventos que chamaram a atenção de Jobs na fatídica visita ao laboratório da Xerox em Palo Alto, em 1979. É uma das histórias mais contadas e recontadas do Vale do Silício, e as versões variam entre acusações de espionagem industrial à simples troca pela Apple de patentes que a Xerox não teria interesse em desenvolver por ações da companhia, que abriria seu capital no ano seguinte.
Fato é que a equipe de Jobs voltou da visita encantada com a metáfora do "desktop" utilizada pelo Xerox Alto. A integração entre ícones representando cada uma das funções do computador, acessadas por meio de uma seta comandada por um mouse, foi a base do Apple Lisa e, posteriormente, do Macintosh.
Steve Jobs (Foto: Robert Galbraith/Reuters)Steve Jobs, em uma das últimas aparições à frente
da Apple (Foto: Robert Galbraith/Reuters)
Com o "Mac", enfim, Jobs conseguiu colocar em prática a visão de que havia desenvolvido em parceria com o amigo e sócio Steve Wozniak, responsável pela criação das soluções técnicas que fizeram dos primeiros computadores da Apple máquinas que mudaram o cenário da computação "de garagem" que vinha se desenvolvendo nos Estados Unidos nos anos 70. Agora, 8 anos após a fundação da empresa, Jobs e "Woz" apresentavam um computador que não era feito para "o restante de nós".
"Algumas pessoas acreditam que precisamos colocar um IBM PC sobre cada escrivaninha para melhorarmos a produtividade. Não vai funcionar. As palavras mágicas especiais que você precisa aprender são coisas como 'barra Q-Z'. O manual para o WordStar, processador de texto mais popular, tem 400 páginas. Para escrever um livro, você precisa ler um livro - e um que parece um mistério complexo para a maioria das pessoas", afirmou Jobs em entrevista publicada pela Playboy americana de fevereiro de 1985.
Na frase, Jobs demostra que queria enfrentar a IBM, gigante nascida no início do século e que, depois de dominar o mercado de servidores corporativos, queria tomar também o setor de computadores pessoais. Para ele, as máquinas da IBM eram feitas "por engenheiros e para engenheiros", e havia a necessidade de criar algo para o "restante", ou, como diria a famosa campanha "Pense diferente" da Apple de 1997, um computador para "os loucos, os desajustados, os rebeldes (..), as peças redondas encaixadas em buracos quadrados".
Saída da própria empresaMas o sucesso do Mac - que viria posteriormente a impulsionar a adoção de ambientes gráficos até mesmo entre os computadores da IBM (com o Windows, criado pela Microsoft) - não evitou que Jobs acabasse demitido de sua própria companhia. As disputas internas entre equipes que queriam investir no mercado corporativo e as que apostavam apenas no consumidor fizeram com que John Sculley, vindo da Pepsi à convite do próprio Jobs, convencesse o conselho de administração de que era hora da empresa se livrar de seu fundador.
Durante a década em que esteve fora, Jobs fez dois investimentos que acabaram, de maneiras diferentes, alavancando o mito em torno de seu "toque de midas". No primeiro, pagou US$ 10 milhões pela problemática divisão de computação gráfica da LucasFilm, empresa de George Lucas responsável por franquias do cinema como Star Wars e Indiana Jones. A nova empresa foi batizada de Pixar, e após emplacar sucessos como “Toy story”, “Vida de inseto”, “Monstros S.A.” e “Procurando Nemo”, acabou sendo adquirida pela Disney por US$ 7,4 bilhões em 2006. No processo, Jobs se transformou no maior acionista individual da companhia de Mickey Mouse.
O outro investimento foi a semente não apenas do retorno de Jobs à Apple, mas teve relação direta com o surgimento da World Wide Web, invenção que impulsionou o crescimento da internet no mundo. Com a NeXT, Jobs desenvolveu computadores poderosos indicados para o uso educacional e desenvolvimento de programas. Um terminal NeXT foi usado por Tim Berners-Lee como o primeiro servidor de web do mundo, em 1991. Em dezembro de 2006, a Apple adquiriu a NeXT, manobra que serviu para incorporar tecnologias ao grupo e trazer Jobs de volta para o comando da companhia.
Steve Jobs (Foto: Kimberly White/Reuters)Steve Jobs com seu sucessor no comando da
Apple, Tim Cook (Foto: Kimberly White/Reuters)
O retorno de Jobs marca o início de uma era de crescimento para a Apple incomum na história do capitalismo americano. A sequência de sucessos - alguns atrelados a mudanças no paradigma de mercados importantes - inclui o MacBook, o tocador digital iPod, a loja virtual iTunes, o iPhone e o iPad. A maioria destes produtos veio de ideias impostas pelo próprio Jobs. À revista “Fortune”, em 2008, Jobs falou sobre sua tão aclamada criatividade - "sempre aliada ao trabalho duro", como ele mesmo enfatizou. "Não dá para sair perguntando às pessoas qual é a próxima grande coisa que elas querem. Henry Ford disse que, se tivesse questionado seus clientes sobre o que queriam, a resposta seria um cavalo mais rápido."
Nesta segunda passagem, Jobs reforçou ainda o legado de um empresário ímpar, que impunha uma visão holística na criação, desenvolvimento e venda de seus produtos, Do primeiro parafuso ao plástico que embalaria a caixa de cada aparelho, passando por custo, publicidade, estratégia de vendas.
Sigilo na vida pessoal
A mesma discrição que Jobs impunha na vida profissional - os lançamentos da Apple sempre foram tratados como segredo, aumentando a gerar um movimento de especulação que acabava servindo como publicidade gratuita - foi adotada em sua vida pessoal. Por isso, a luta do executivo contra o câncer no pâncreas foi tratada com muito sigilo, dando margem a uma infinidade de boatos.
Em 2004, Jobs fez tratamento após descobrir um tipo raro da doença. Durante o ano de 2008, Jobs foi aparecendo cada vez mais magro e os boatos aumentaram, até que ele anunciou em janeiro de 2009 seu afastamento da diretoria da empresa para cuidar da saúde. No início de 2011, novo afastamento, até que, em agosto, Jobs deixou de vez o comando da Apple. "Eu sempre afirmei que se chegasse o dia em que eu não fosse mais capaz de cumprir minhas obrigações e expectativas como CEO da Apple, eu seria o primeiro a informá-los disso. Infelizmente, este dia chegou", afirmou, em comunicado.
Steve Jobs apresenta o iPhone 4, em junho de 2010 (Foto: Robert Galbraith/Reuters)Steve Jobs apresenta o iPhone 4, em junho de
2010 (Foto: Robert Galbraith/Reuters)
A vida reservada fez, por exemplo, que Jobs não tivesse contato direto com sua família biológica. Nascido em 24 de fevereiro de 1955 em San Francisco, filho dos então estudantes universitários Abdulfattah John Jandali, imigrante sírio e seguidor do islamismo, e Joanne Simpson, foi entregue à adoção quando sua mãe viajou de Wisconsin até a Califórnia para dar à luz.
Segundo o pai biológico, os sogros não aprovavam que sua filha se casasse com um imigrante muçulmano. Lá, ele foi adotado por Justin e Clara Jobs, que moravam em Mountain View. Seus pais biológicos depois se casaram e tiveram uma filha, a escritora Mona Simpson, que só descobriu a existência do irmão depois de adulta.
Do pai adotivo, herdou a paixão de montar e desmontar objetos. Assim como Paul, Steve não chegou a ser um especialista em eletrônicos, mas ao aprender os conceitos básicos conseguiu se aproximar das pessoas certas no lugar certo. Vivendo no Vale do Silício, conheceu Steve Wozniak, gênio criador do primeiro computador da Apple. Trabalhou na Atari até decidir criar, com Woz, sua própria empresa.
Em mais uma conexão com a contracultura, Jobs teria tido um relacionamento de curta duração com a cantora folk Joan Baez, ex-namorada do ícone da música Bob Dylan, talvez o maior ídolo do empresário.
Casado com Laurene Powell desde 1991, Jobs deixa quatro filhos: Reed Paul, Erin Sienna, e Eve, nascidos de seu relacionamento com Laurene, e Lisa Brennan-Jobs, de um relacionamento anterior com a pintora Chrisann Brennan.
Fonte: G1 Portal Globo

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Kindle Fire: Finalmente um concorrente à altura do iPad

Kindle Fire apresentado pela Amazon em evento para a imprensa (Foto: Divulgação)Kindle Fire apresentado pela Amazon em evento para a imprensa (Foto: Divulgação)


Anunciado nesta quarta-feira (28) pela manhã, o Kindle Fire é o tablet com o qual a Amazonpretende competir frente a frente com a Apple. A estratégia é acertada, pois se trata de um tablet bem construído e que dará acesso a um amplo acervo de conteúdo - e tudo isso custando pouco menos da metade de um iPad 2.
O tablet tem uma tela de 7” que emprega a tecnologia IPS, a mesma usada no iPad, responsável por alargar o campo de visão. Embora ainda não tenham revelados maiores detalhes sobre o processador, sabemos tratar-se de um competente chip dual-core, encarregado de dar agilidade às tarefas e viabilizar execução de games e de vídeos em alta definição no tablet.
A conectividade fica por conta apenas do Wi-Fi, não estando previstos ainda modelos do Kindle Fire com acesso a redes 3G. O aparelho também não possui câmeras ou microfones.
O sistema operacional apresentado no Kindle Fire é tão modificado que fica até difícil reconhecer algo de Android nele."
TICIANO SAMPAIO
Essas “pequenas” limitações, por outro lado, estão envolvidas na proposta que será o forte do novo tablet: seu preço. A Amazon venderá o Kindle Fire, lá fora, por US$ 199,00.
Em termos de especificações técnicas, o único detalhe a pesar contra o Kindle Fire é o fato de vir com o Android 2.3 (Gingerbread) instalado, e não uma versão do Android 3 (Honeycomb) desenvolvida com o objetivo de melhor se adequar aos tablets. Para amenizar esse problema, a Amazon criou uma interface completamente diferenciada do Android, como forma de melhor integrar o sistema operacional à sua plataforma de distribuição de conteúdo.
Falando em alterações sobre o Android, elas não se limitam à interface. O sistema operacional apresentado no Kindle Fire é tão modificado que fica até difícil reconhecer algo de Android nele. O navegador padrão do Android foi substituído por um browser próprio, chamado Amazon Silk, com uma proposta de ser mais rápido e oferecer uma interface melhorada para navegação com abas, principalmente.
Além disso, o próprio Android Market foi removido do Kindle Fire. O tablet apresenta a App Store da própria Amazon como alternativa para acesso aos aplicativos e jogos. Em suma, quem comprar o tablet não estará comprando um tablet "Com Android", mas um tablet da Amazon que usa o Android apenas como base.
O tablet traz o Android 2.3 com uma interface altamente customizada pela Amazon (Foto: Divulgação)O tablet traz o Android 2.3 com uma interface
altamente customizada pela Amazon (Foto:
Divulgação)
O preço confere ao tablet da Amazon a ele uma relação custo-benefício imbatível entre os tablets com Android, pois paga-se por um produto de qualidade, advindo de uma empresa conceituada, pouco mais do que o cobrado por um similar vindo de alguma marca obscura da China. Por outro lado, a Amazon só consegue praticar esses preços porque está subsidiando os tablets, inserindo nele um conteúdo pré-instalado com "Special Offers", patrocinadas. O modelo sem publicidade deverá custar de US$ 30 a US$ 50 mais caro.
Mas não é com os tablets chineses que a Amazon pretende competir, e sim com a Apple e o iPad, tendo inclusive se inspirado bastante na estratégia da maçã para planejar o novo produto.
iPad é o grande concorrente
A Apple adota com o iPad um modelo de negócio inteiramente verticalizado, cuidando desde a fabricação dos tablets e indo até a comercialização do produto nas Apple Stores (sem intermediários). Além disso, lucra também com a venda de apps e de conteúdo através da App Store e da iTunes Store.
Se observarmos o trabalho feito pela Amazon nos últimos tempos, vemos que a estratégia de mercado para o Kindle Fire segue uma linha muitíssimo semelhante à praticada pela Apple com o iPad. A Amazon possui hoje uma App Store especializada em aplicativos para Android, além de serviços para comercialização digital de música e de filmes, que se somam ao negócio preexistente do Kindle com livros. É um acerto que, somado, chega a mais de 18 milhões de títulos disponíveis. Ou seja, a Amazon pode criar com o novo tablet um ecossistema próprio e altamente rentável, ao mesmo tempo em que dá ao consumidor a vantagem do acesso a um conteúdo vasto e de qualidade.
É justamente essa estratégia que possibilita a oferta de um tablet com preço baixo, pois a empresa não procura lucrar apenas na venda do equipamento, mas fazer dele uma fonte de receita em várias instâncias. Funciona bem para a Apple e poderá funcionar bem para a Amazon, contanto que as restrições geográficas de acesso ao conteúdo sejam derrubadas muito em breve.
O problema é que boa parte desse conteúdo está indisponível para fora dos Estados Unidos"
TICIANO SAMPAIO
Aposta na nuvem, mas sem acesso a redes móveis
Analisando de perto o Kindle Fire em sua totalidade, incluindo o equipamento e os serviços disponibilizados, é possível encontrar apenas um possível furo no modelo. Isso porque vários dos serviços oferecidos no ecossistema da Amazon para o tablet são inteiramente baseados em computação em nuvem, ao mesmo tempo em que a única conexão disponível para ele é o Wi-Fi.
Para acessar o espaço em disco oferecido por um serviço como o Cloud Drive, por exemplo, que amplia de forma quase ilimitada a capacidade de armazenamento dos tablets, é preciso ter disponível uma conexão, obviamente. Como o novo Kindle Fire só pode ser conectar por Wi-Fi, o usuário precisará de uma rede disponível ou terá de usar o seu smartphone para compartilhar alguma conexão com o tablet.
Esse problema é inerente não só ao Kindle Fire como a todo e qualquer projeto que una a proposta de mobilidade a uma grande dependência da computação em nuvem. Mesmo que os equipamentos possuam acesso próprio a redes 3G ou até 4G, a experiência de usuário pode ser comprometida pela qualidade ou pelos custos do acesso a essas redes.
Restrições para o Kindle Fire no Brasil
Embora a Amazon comercialize outros modelos do Kindle para o Brasil, a encomenda do Kindle Fire para cá ainda não está disponível no site. Quem tentar realizar a “pre-order” verá uma mensagem avisando da indisponibilidade do modelo para fora dos EUA e pedindo para que visite a loja do Kindle para não residentes nos Estados Unidos e cheque os modelos disponíveis.
Mesmo que consiga adquirir um Kindle Fire por outra via, o consumidor brasileiro sofrerá limitações de uso do equipamento, pois, conforme destacado, trata-se de um tablet voltado para o consumo de conteúdo no ecossistema próprio da Amazon. O problema é que boa parte desse conteúdo está indisponível para fora dos Estados Unidos, fazendo com que a App Store, o serviço de músicas na nuvem, baseado no Amazon Cloud Drive, e de filmes, Amazon Instant Video, fiquem indisponíveis por aqui.
Serviços da Amazon indisponíveis para fora dos EUA (Foto: Reprodução)Serviços da Amazon indisponíveis para fora dos EUA (Foto: Reprodução)
Dessa forma, o Kindle Fire está surgindo como um forte concorrente para o iPad, mas, por enquanto, essa briga será disputada apenas nos EUA. Não se pode esperar que o usuário comum avance sobre um novo produto que exige o uso de VPNs ou outros artifícios para ser usufruído adequadamente por aqui.
Enquanto o novo tablet não está disponível para o Brasil, a Amazon está lá fora dando exemplo às empresas que, aqui no Brasil, se propõem a oferecer tablets por preços mais acessíveis.
Fonte: Tech Tudo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Google+ cresce 30% em 48h

 São Paulo – A Google+, nova aposta do Google para emplacar no segmento das redes sociais, cresceu 30% em 48h após liberar o acesso para o público geral.
De acordo com Paul Allen, uma analista independente que está acompanhando o crescimento da rede social, o nível de procura pelo serviço após a liberação dos convites foi o mesmo de quando ele foi lançado.
Segundo estimativas do americano, a Google+ possuiria agora cerca de 43,4 milhões de usuários. No dia 9 de setembro, eram 28,7 milhões. Para chegar ao número, a equipe de Allen estabeleceu uma fórmula baseada no número de sobrenomes cadastrados na rede social.
Para fator de comparação, na semana passada, durante a f8, o Facebook anunciou que atingiu a marca de 800 milhões de usuários.
Fonte: Site Info.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

MEC vai distribuir tablets para escolas em 2012


São Paulo - O MEC (Ministério da Educação) vai distribuir tablets a escolas públicas a partir do próximo ano.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na 15ª Bienal do Livro. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia.

Haddad afirmou que o edital para a compra dos equipamentos será publicado ainda este ano. "Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental."
Tablets nas escolas em 2012, tecnologia a favor da educação.
O ministro disse que o MEC está em processo de transformação. "Precisamos, agora, dar um salto, com os tablets. Mas temos que fazer isso de maneira a fortalecer a indústria, os autores, as editoras, para que não venhamos a sofrer um problema de sustentabilidade, com a questão da pirataria."
Haddad não soube precisar o volume de tablets que será comprado pelo MEC, mas disse que estaria na casa das "centenas de milhares". Ele destacou que a iniciativa está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia.
"O MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na distribuição de tablets."
Fonte: Site Info